Terapias

TUMORES NEUROENDÓCRINOS

INFORMAÇÕES GERAIS 

A terapia com Octreotato-DOTA- 177Lu está indicada em pacientes com tumores neuroendócrinos e, eventualmente, tumores não-neuroendócrinos, com expressão significativa de receptores da somatostatina subtipo 2, evidenciada pela cintilografia ou PET com análogo da somatostatina.

Estudos recentes têm sugerido um papel adicional da terapia com Octreotato- 177Lu como tratamento neoadjuvante, onde a cirurgia com intenção curativa não estaria indicada. Em alguns casos, o tumor pode tornar-se passível de ressecção cirúrgica completa após o uso do Octreotato-DOTA- 177Lu.

Dentre os objetivos da terapia com Octreotato-DOTA- 177Lu, destacam-se:

- Estabilização da doença;

- Redução do volume tumoral;

- Redução da função tumoral;

- Melhora dos sintomas;

- Melhora da qualidade de vida.

 

CONTRAINDICAÇÕES

A. Absolutas: Gravidez; Amamentação; -Doença psiquiátrica grave.

B. Relativas: Pacientes instáveis; Falta de colaboração do paciente; Envolvimento hepático difuso e extenso; Índice de Karnofsky < 60 e expectativa de vida < 3 meses. 

 

EFEITOS ADVERSOS

Embora geralmente leve, um dos efeitos colaterais potenciais que merece maior cautela é a toxicidade renal. Esta pode ocorrer pelo fato de pequenos peptídeos no plasma serem filtrados através dos capilares glomerulares e subsequentemente reabsorvidos e retidos pelo sistema tubular. Como consequência, acontece um acúmulo de radiação nos rins. A captação renal pelos pacientes pode ser reduzida através da infusão venosa de aminoácidos básicos, como lisina e arginina, antes, durante e depois da administração do radiofármaco.

Além deste, os seguintes efeitos colaterais, com suas respectivas incidências, foram observados em pacientes submetidos à terapia em questão:

-Náusea: 30%

- Vômitos: 15%

- Discreta perda de cabelo de caráter transitório: 65%

- Anemia: 6% / Redução de plaquetas: 5% / Redução de células de defesa :12%

Foi ainda relatado na literatura a rara ocorrência (aproximadamente 1%) de insuficiência hepática fulminante (em caso de envolvimento hepático extenso e difuso pela doença) e mielodisplasia.

 

PREPARO

Além do estudo mostrando captação satisfatória do análogo da somatostatina radiomarcado (cintilografia ou PET), é interessante que o paciente possua um estudo de tomografia ou ressonância realizado com uma antecedência máxima de 3 meses antes da primeira aplicação. Esse exame estrutural será imprescindível para a avaliação da resposta anatômica, após concluídas as aplicações do Octreotato-DOTA- 177Lu.

Exames de sangue e urina (Anexo 1) devem ser colhidos com antecedência de 2 semanas antes da aplicação, para acompanhamento laboratorial do paciente e avaliação laboratorial de critérios de inclusão.

É necessário suspender Sandostatin subcutâneo por 24 horas e Sandostatin de longa duração (LAR) 4 semanas antes da internação. Nos casos em que a interrupção for impossível ou não recomendada devido à intensidade dos sintomas clínicos, o tratamento pode ser realizado sem a suspensão desde que a cintilografia ou PET com análogos de somatostatina tenha demonstrado captação suficiente nas mesmas condições

Não se conhece nenhuma outra medicação que interfira com o tratamento. 

 

ORIENTAÇÕES DE RADIOPROTEÇÃO

Os seguintes cuidados são recomendados aos pacientes submetidos à terapia em questão, durante cerca de uma semana após a administração da dose:

- Evitar contato com crianças menores de 5 anos e gestantes;

- Evitar contato sexual;

- Dar duas descargas após o uso do vaso sanitário;

- Não urinar durante o banho;

- Ingerir bastante líquido.

Sugere-se ainda evitar gravidez por 1 ano a partir da última aplicação.

 

Texto adaptado de "DIRETRIZ PARA TERAPIA COM OCTREOTATO-DOTA- 177Lu", publicado em 2016 pela SBMN - Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear. Disponível em: http://sbmn.org.br/wp-content/uploads/2016/10/Terapia-com-Octreotato-Dota-177Lu.pdf