O que é cirurgia radioguiada
As cirurgias radioguiadas são procedimentos cirúrgicos inovadores que têm sido utilizados há mais de duas décadas na área oncológica. Essa modalidade cirúrgica envolve a marcação da estrutura a ser removida ou biopsiada com uma substância radioativa, permitindo sua localização precisa durante a cirurgia por meio de um equipamento especializado conhecido como gamaprobe.
Os fármacos utilizados nesses procedimentos podem ser injetados diretamente na estrutura a ser removida ou administrados por diferentes vias, dependendo da sua afinidade ou trânsito até a estrutura a ser identificada.
Um dos procedimentos mais comuns é a biópsia do linfonodo sentinela, realizada em determinados tipos de tumores como parte do processo de estadiamento da doença. Essa abordagem oferece a vantagem de permitir a localização precisa do linfonodo, evitando cirurgias mais invasivas ou mutilantes. A técnica é frequentemente utilizada em casos de câncer de mama, melanoma maligno, câncer de vulva, de pênis, de colo de útero e câncer de orofaringe.
Além disso, a radioguiada pode fornecer suporte em cirurgias de algumas doenças benignas, como na ressecção de osteoma osteoide (lesão óssea), na remoção de adenomas e hiperplasias das glândulas paratireoides e na retirada de divertículo de Meckel sangrante.
Geralmente o procedimento é realizado em etapas. A primeira é a fase pré-operatória, na qual o paciente recebe a injeção da medicação com baixa radioatividade, seguida pela aquisição de imagens e demarcação da pele. A última etapa ocorre durante a cirurgia, em que a estrutura marcada (tumor e gânglios metastáticos) é localizada e removida com precisão.
É essencial que haja comunicação prévia entre as equipes cirúrgicas e de medicina nuclear para agendar esses procedimentos de forma adequada, garantindo um planejamento cirúrgico eficiente.
Vale ressaltar que o objetivo deste procedimento é localizar o gânglio (linfonodo) sentinela, que recebe este nome por ser o primeiro a receber a drenagem da região onde o tumor está localizado. No entanto, isso não significa necessariamente que ele esteja afetado pelo tumor. Somente a análise microscópica pode confirmar se o gânglio está comprometido pela doença. Caso não esteja, a probabilidade de outros gânglios estarem afetados é muito baixa.
As cirurgias radioguiadas representam um avanço significativo no campo da cirurgia oncológica, oferecendo aos pacientes abordagens menos invasivas e mais precisas. Essa técnica tem o potencial de melhorar os resultados cirúrgicos, de reduzir mutilações e de contribuir para melhor qualidade de vida dos pacientes, permitindo uma retirada precisa do tumor e uma recuperação mais rápida.
Linfonodo sentinela
A cirurgia radioguiada do linfonodo sentinela (CRGLS) é um procedimento utilizado no tratamento do câncer, especialmente em casos de câncer de mama e melanoma. O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo para o qual o tumor se espalha, e sua identificação é importante para determinar a extensão da doença e a presença ou ausência de metástases em outros linfonodos.
A CRGLS é realizada em conjunto com um exame de medicina nuclear, no qual um radiofármaco é injetado próximo à área do tumor. O radiofármaco é uma substância que emite radiação, permitindo que os cirurgiões identifiquem o linfonodo sentinela através de uma sonda especial que detecta a radiação. Isso ajuda a direcionar a cirurgia para o linfonodo específico que precisa ser removido para análise patológica.
A técnica tem várias vantagens em relação aos métodos tradicionais de localização do linfonodo sentinela, como a injeção de corantes ou o uso de marcadores metálicos. A radioguiagem oferece uma localização mais precisa do linfonodo, aumentando a probabilidade de sua detecção durante a cirurgia. Além disso, pode ajudar a reduzir a taxa de remoção desnecessária de linfonodos, minimizando os efeitos colaterais associados à cirurgia.
A CRGLS é considerada uma abordagem padrão para a identificação do linfonodo sentinela em muitos centros médicos especializados no tratamento de câncer. Cada caso é único, e o uso da técnica pode variar dependendo do tipo de câncer e das recomendações do médico responsável pelo tratamento.
ROLL
A cirurgia radioguiada ROLL (Radioguided Occult Lesion Localization) é um procedimento utilizado principalmente no tratamento do câncer de mama. É um método minimamente invasivo que permite localizar e remover lesões mamárias não palpáveis, ou seja, lesões que não podem ser sentidas através do toque.
O procedimento envolve a injeção de um marcador radioativo na área da lesão mamária não palpável. Esse marcador é geralmente uma substância como o tecnécio-99m, misturada a um corante ou a uma partícula de colágeno para facilitar a visualização da lesão. Após a injeção, é realizado um exame de cintilografia com uma câmera especializada que detecta a radiação emitida pela substância.
O objetivo da cintilografia é identificar com precisão a localização da lesão mamária. Durante a cirurgia, um detector de radiação guia o cirurgião até a área marcada. Dessa forma, é possível remover a lesão com maior precisão e reduzir a quantidade de tecido saudável removido.
A ROLL permite a remoção precisa da lesão, evitando a necessidade de uma incisão grande na mama e preservando o máximo possível de tecido mamário saudável. Além disso, reduz o tempo cirúrgico e melhora os resultados cosméticos, minimizando cicatrizes visíveis. O procedimento deve ser realizado por cirurgião especializado em cirurgia mamária e com experiência na técnica, que avaliará se a ROLL é adequada para cada caso, levando em consideração o tamanho, a localização e a característica da lesão.
SNOLL
A cirurgia radioguiada SNOLL é uma técnica utilizada para o tratamento de certos tipos de câncer, como o câncer de mama e o melanoma. Envolve a identificação e remoção dos linfonodos sentinelas, que são os primeiros linfonodos para os quais um tumor se espalha.
O procedimento é realizado em duas etapas. Na primeira, é injetado um material radioativo ou corante na área do tumor. Esse material se move através do sistema linfático até os linfonodos sentinelas, que são então identificados utilizando técnicas de detecção radioguiada, como a cintilografia ou o uso de um detector de radiação.
Na segunda etapa, durante a cirurgia, apenas os linfonodos sentinelas identificados previamente são removidos. Essa abordagem evita a remoção desnecessária de linfonodos saudáveis, reduzindo o risco de complicações pós-operatórias, como linfedema, e preservando a função do sistema linfático.
A indicação e o uso dessa técnica dependem do tipo e do estágio do câncer, assim como das considerações médicas específicas de cada paciente.
Cirurgias radioguiadas: pioneirismo
• Há mais de duas décadas o instituto trouxe da França o primeiro europrobe brasileiro, que junto com SP, RJ e MG iniciou os primeiros procedimentos radioguiados no país.
• O instituto foi pioneiro no mundo em cirurgias radioguiadas cerebrais para tumores e epilepsia.
• Teve papel importante para as premissas cirúrgicas de técnicas desenvolvidas em psicocirurgias (síndrome de Tourette, TOC).
• Foi um dos pioneiros no mundo a realizar cirurgias radioguiadas com sementes de Iodo-125.
• Trouxe para a SBMN-Brasil a técnica de sementes com Iodo-125 para seguimento de pacientes em quimioterapia.
Leia a história completa do pioneirismo
