O PET/CT foi introduzido pioneiramente em Goiás por nós, em 2009
Hoje o exame é feito em equipamento Discovery.
O que é o PET/CT
PET/CT é uma técnica híbrida que une o exame de medicina nuclear de PET (tomografia por emissão de pósitrons) com a tomografia computadorizada convencional, associando informações metabólicas e anatômicas e desta forma permitindo diagnósticos mais precisos.
O traçador mais comumente utilizado para esta tecnologia é o 18F-Fluordeoxiglicose (FDG), um análogo da glicose, cujo acúmulo depende do metabolismo glicolítico nos diversos órgãos e tecidos. Um consumo aumentado de glicose é comumente observado em tumores malignos, e está relacionado a maior expressão dos transportadores de glicose (GLUT-1) e da atividade da hexoquinase. Alguns tumores, com baixo metabolismo, possuem pouca avidez ao FDG.
Existem diversos outros traçadores emissores de pósitrons já em uso clínico no mundo, e outros ainda em desenvolvimento, nas áreas de oncologia, neurologia e cardiologia.
Eventuais lesões encontradas nos exames de PET/CT podem ter sua intensidade de captação quantificada, gerando um valor numérico SUV (standard uptake value), que expressa a atividade metabólica desta lesão. Esta quantificação tem valor no acompanhamento da evolução da doença, não servindo isoladamente para diferenciar lesões benignas de malignas, devendo ser utilizada em conjunto com a análise qualitativa do médico nuclear.
Hoje, tanto a Agência Nacional de Saúde (ANS) quanto o Sistema Único de Saúde (SUS) já incluíram o PET/CT no rol de procedimentos autorizados.
Principais indicações clínicas
- Estadiamento e reestadiamento de neoplasias hematológicas (linfomas Hodgkin e não Hodgkin) e tumores sólidos, como carcinoma do cólon, do trato gastrointestinal, de pulmão, de mama, de cabeça e pescoço e melanoma maligno, entre outros;
- Investigação de câncer metastático com sítio primário desconhecido;
- Acompanhamento da resposta terapêutica em oncologia;
- Identificar local de biópsia e planejamento radioterápico;
- Diferenciação de lesões benignas de malignas (ex.: nódulo pulmonar);
- Estabelecer e localizar sítios de causas de elevação de marcadores tumorais;
- Avaliação de processos infecciosos e febres de origem indeterminada.
Contraindicações e efeitos colaterais
Contraindicação principal: o exame não é recomendado para mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez.
Efeitos colaterais: não foram observados efeitos colaterais durante ou após a administração do radiofármaco descritos na literatura.
Radiofármaco utilizado: [18F]-Fluordeoxiglicose.
Indicações autorizadas pela ANS (Rol ANS 2014)
Câncer pulmonar de células não pequenas
Cobertura obrigatória para pacientes com diagnóstico comprovado por biópsia, quando pelo menos um dos critérios for preenchido: caracterização de lesões; estadiamento do comprometimento mediastinal e à distância; detecção de recorrência.
Linfoma
Cobertura obrigatória quando pelo menos um dos critérios for preenchido: estadiamento primário; avaliação da resposta terapêutica; monitoramento da recidiva da doença nos linfomas Hodgkin e não Hodgkin.
Câncer colorretal
Cobertura obrigatória quando pelo menos um dos critérios for preenchido: câncer recidivado potencialmente ressecável; CEA elevado sem evidência de lesão por métodos de imagem convencional; recidivas com achados radiológicos inconclusivos, com ou sem CEA aumentado.
Nódulo pulmonar solitário
Cobertura obrigatória quando preenchidos os critérios: ressonância magnética ou tomografia computadorizada inconclusiva; nódulo maior que um centímetro; não espiculado; sem calcificações.
Câncer de mama metastático
Cobertura obrigatória para o diagnóstico quando os exames de imagem convencionais apresentarem achados equívocos.
Câncer de cabeça e pescoço
Cobertura obrigatória quando pelo menos um dos critérios for preenchido: presença de imagem pulmonar, hepática ou em outro órgão suspeita de metástase, quando outros exames de imagem não forem suficientemente esclarecedores quanto à natureza da lesão; quando a biópsia por agulha de uma lesão ou linfonodo cervical apresentar como resultado “carcinoma de células escamosas, adenocarcinoma ou carcinoma epitelial anaplásico” cujo tumor primário for desconhecido e se outro exame de imagem não for suficientemente esclarecedor.
Melanoma
Cobertura obrigatória quando pelo menos um dos critérios for preenchido: estadiamento do melanoma de alto risco (tumor > 1,5 mm de espessura, ou com linfonodo sentinela positivo, ou com linfonodo clinicamente positivo) sem evidência de metástase e quando os exames convencionais não forem suficientemente esclarecedores; avaliação de recidiva detectada por outro método diagnóstico em pacientes candidatos a metastectomia (exceto para lesões de SNC ou lesões muito pequenas, < 3 mm de espessura).
Câncer de esôfago
Cobertura obrigatória para pacientes com doença “localmente avançada”, para detecção de metástase à distância, quando outros exames de imagem não foram suficientemente esclarecedores (TC de tórax e USG ou TC de abdome).
Em caso de indisponibilidade de rede prestadora para este procedimento na localidade de ocorrência do evento, a operadora deve disponibilizar o mesmo na localidade mais próxima, sem a obrigatoriedade de cobertura de remoção ou transporte.
Referências bibliográficas
- Ramos CD, Soares Junior J. PET e PET/CT em oncologia. Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular. Atheneu.
- Soares Júnior J et al. Lista de recomendações do exame PET/CT com 18F-FDG em oncologia. Consenso entre a Sociedade Brasileira de Cancerologia e a Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular. Revista Brasileira de Radiologia 2010 Jul/Ago; 43(4):255-259.
- Lin EC, Alavi A. PET and PET/CT: a clinical guide, 2005.
- Mawlawi O. Factors affecting accurate quantification in PET/CT. J Nucl Med 2003.
- Boellaard R et al. FDG PET and PET/CT: EANM procedure guidelines for tumor PET imaging: version 1.0. Eur J Nucl Med Mol Imaging 2009.
- Delbeke D, Coleman E, Guiberteau MJ et al. Procedure Guideline for Tumor Imaging with 18F-FDG PET/CT. J Nucl Med 2006; 47:885-895.
- Jamar F, Buscombe J, Chiti A et al. EANM/SNMMI Guideline for 18F-FDG Use in Inflammation and Infection. J Nucl Med 2013; 54:647-658.
- Rol da ANS 2014 — Indicações de PET/CT oncológico (página 138).
- Adverse Reactions to Radiopharmaceuticals. J Nucl Med 1996; 37:1064-1067.
